Remição em leilão judicial: STJ garante comissão ao leiloeiro mesmo com quitação do devedor

Decisão do STJ esclarece que remição da execução após arrematação em leilão judicial não impede comissão do leiloeiro. Entenda os riscos no pós-lance e prazos críticos para arrematantes.

A remição da execução é o mecanismo pelo qual o devedor executado quita integralmente a dívida após a arrematação de um imóvel em leilão judicial — ou seja, após a aceitação do lance e o depósito do valor pelo arrematante —, mas antes da assinatura do auto de arrematação. Nessa situação, a transferência do bem ao arrematante é frustrada, e o imóvel retorna ao devedor. Uma decisão recente da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp 2.198.525, por unanimidade, esclareceu que o leiloeiro mantém o direito à sua comissão mesmo assim, pois seu trabalho gerou "resultado útil" à alienação judicial.

O caso analisado pelo STJ envolvia exatamente esse intervalo temporal crítico. Após o leiloeiro realizar o leilão, aceitar o lance e receber o depósito do arrematante, o devedor quitou a dívida, invocando a remição. O auto de arrematação não havia sido assinado, o que, conforme o artigo 903 do Código de Processo Civil (CPC), impede que a arrematação se torne perfeita, acabada e irretratável. Assim, a alienação judicial prévia não se consolida, beneficiando o devedor. No entanto, o tribunal entendeu que isso não afasta a remuneração do leiloeiro, amparado no artigo 884, parágrafo único, do CPC, que vincula a comissão ao resultado útil obtido, independentemente da formalização posterior.

Para quem avalia dar um lance em leilões judiciais, essa decisão destaca um risco prático no pós-arrematação inicial: o depósito do lance (que ocorre logo após a aceitação, conforme o edital) não garante a propriedade do imóvel imediatamente. A remição pode ocorrer nesse hiato, extinguindo a execução e devolvendo o bem ao devedor, com a devolução do valor ao arrematante — mas sujeita a eventuais discussões sobre juros ou correções. Além disso, o leiloeiro, como terceiro prejudicado, tem legitimidade para recorrer de decisões que questionem sua comissão, o que pode prolongar o processo judicial.

Na prática, esse cenário reforça a importância de mapear os prazos envolvidos antes de arrematar. O edital de leilão detalha o procedimento de arrematação, incluindo o momento do depósito (geralmente em até 24 horas) e a assinatura do auto (pelo juiz, após verificações). A remição deve respeitar os limites legais, tipicamente em poucos dias após a arrematação, mas varia conforme o caso. Erros comuns incluem subestimar esse risco em processos com devedores solventes ou com patrimônio remanescente, ou não monitorar o andamento após o lance.

Antes de prosseguir, verifique o edital com atenção — confira nosso guia sobre como ler um edital de leilão. Analise também a matrícula do imóvel para identificar sinais de execução ativa e consulte o glossário de arrematação para entender os passos. Como cada execução tem peculiaridades, uma análise caso a caso com advogado é essencial para avaliar riscos como esse, especialmente em leilões judiciais com valores elevados.

Fontes consultadas:

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